Como toda viagem de nosso ilustríssimo monarca, o trem sempre sai da capital do Império, da Corte, do Rio de Janeiro. E foi lá que iniciei minha pesquisa.

Visitei o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional. Foi uma missão quase impossível, pois tinha apenas 3 dias para realizar uma pesquisa quilométrica e enfrentar a burocracia insensata do Arquivo Nacional. Só para se ter uma ideia, eles solicitam no mínimo 3 dias úteis para processar seu pedido e entregar os documentos, ou seja, se eu pedisse na quarta-feira (quando cheguei ao Rio), só iriam me entregar na segunda-feira (e eu ia embora no sábado de manhã). Graças a uma alma bondosa e compreensiva consegui acelerar o processo e receber meus documentos em 2 dias, na sexta-feira. Agradeço imensamente a Rosane do Arquivo Nacional, que teve a sensibilidade de perceber que eu vinha de longe e só tinha aqueles poucos dias para realizar minha pesquisa. Sua ajuda foi fundamental.

No primeiro dia me dediquei a selecionar os documentos que pretendia pesquisar no Arquivo Nacional. Uma imensidão de fichas, gavetas e armários. Mesmo com uma pré-seleção feita pelo site do AN, deu trabalho descobrir e encontrar o que realmente iria ajudar a minha pesquisa.

Quinta-feira, o segundo dia, foi dedicado à Biblioteca Nacional. Uma construção enorme e imponente só poderia trazer bons ventos para minha pequena aventura em terras cariocas. Mas, aí ficou minha maior decepção. Passei o dia todo vasculhando a obra de Begonha Bediaga, “Diário do Imperador d. Pedro II, 1840-1891“, principalmente o CD-rom que acompanha e contém todos os diários de d. Pedro II transcritos e digitalizados. A obra é fenomenal, um belo trabalho. Porém, o Imperador não escreveu nenhuma linha a respeito de suas passagens pelo Vale do Paraíba. Há somente um citação da viagem feita pelo Imperador em 1878: “Guaratinguetá, Pindamonhangaba”. Somente isto e nada mais.

Mesmo assim, foi de grande valia a obra de Begonha Bediaga. As análises que ela fez sobre os diários e sobre as viagens do Imperador irão embasar melhor minha pesquisa. Destaco abaixo um trecho do livro que considero uma ótima justificativa para minha pesquisa (pg. 33):

Além disso, em um momento marcado pela instabilidade política, as fronteiras eram, de certa forma, fortalecidas e, mesmo, justificadas pela presença do monarca, que tornava “memoráveis” as suas passagens. Era como se, na ótica local, o simples trajeto da comitiva imperial legitimasse o pertencimento a esse Estado, que não era sequer nação.

Nesta toada, fui ao meu último dia de pesquisa. No Arquivo Nacional uma pilha enorme de documentos esperava minha pessoa. Foram 8 horas direto de pesquisa, sem beber água, sem comer e nem almoçar. Pela quantidade de documentos e por ser o último dia que eu ficaria no Rio de Janeiro, não poderia dar-me ao “luxo” de almoçar! O sacrifício foi válido, pois encontrei alguns documentos preciosos para minha pesquisa, principalmente do início do reinado de d. Pedro II e da sua primeira visita à Província de S. Paulo. Abaixo, coloco uma foto de um dos documentos que encontrei por lá (clique na imagem para ampliá-la).

O início da minha procura sobre os passos do Imperador no Vale do Paraíba foi compensador, mas esperava mais. Talvez tenha deixado muito documento importante para trás, talvez precisasse de mais tempo… mas as provas que trouxe do Rio de Janeiro me ajudaram a organizar as informações que tinha e a continuar a investigar por onde d. Pedro II teria andado e o que teria feito por essas bandas valeparaibanas.

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