Há tempos que não passo aqui para escrever. É, meus amigos, estou na reta final da minha monografia. Tenho dedicado meu pouco tempo livre para escrever os capítulos de meu trabalho e infelizmente não sobrou muito tempo para escrever aqui no blog. Peço desculpas!

Pois bem, hoje vou relatar como foram minhas passagens por Pindamonhangaba, conhecida como Princesa do Norte. Uma das cidades mais bonitas que passei nessa minha “aventura” pelo Vale do Paraíba. Bem urbanizada, organizada e conservada. Possui um riquíssimo patrimônio arquitetônico, onde grande parte já se encontra restaurada ou em fase de restauração.

Igreja Nsa Senhora do Bom Sucesso

A história de Pinda possui laços estreitos com o período Imperial. Tempos atrás, era conhecida como a cidade Imperial, por sua opulência oriunda do período do café e a devoção  de seus cidadãos ao Império brasileiro. Andando pela cidade conseguimos entender o motivo do título. E no que vou relatar vocês também conseguirão entender.

Estive 3 vezes visitando o Museu Histórico e Pedagógico d. Pedro I e Princesa Leopoldina. Lá está o Arquivo Público municipal. O Museu é belíssimo e está instalado no antigo casarão do Barão de Palmeira. Possui muitos cômodos, incluindo um salão de baile e uma saleta para a orquestra. Esta saleta possui uma pintura muito bonita no teto. Há exposições variadas dentro do museu, desde artefatos da escravidão, até um acervo do governador Geraldo Alckmin (que é da cidade) e também um setor dedicado ao Egito antigo, com múmias e tudo mais. Vale muito à pena a visita com a família para o Museu d. Pedro I em Pinda. Recomendo!

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Fui muito bem atendido pelo presidente do Museu, sr. Paulo Tarcízio, que prestou toda a ajuda que necessitava. No começo ele hesitou um pouco em trazer alguns exemplares dos jornais “Tribuna do Norte” do século XIX. Isso mostrou o cuidado que ele tem por esses documentos. Os jornais não estão tão ruins quanto imaginava. Um pesquisador cuidadoso consegue manuseá-lo sem deteriorar suas páginas.

Aliás, esse foi o melhor jornal que encontrei nas minhas pesquisas. Além de possuir coleções completas, com anos contendo todos os números, a forma como esse jornal foi escrito também é fascinante. Posso dizer que o “Tribuna do Norte” foi o primeiro jornal a buscar uma linha editorial que abrangesse todo o Vale do Paraíba. Consegui notícias das cidades de Lorena, Taubaté e até Jacareí, sem contar nas notícias de outras províncias e as internacionais.

Bom, vamos ao que interessa. Consegui rastrear 4 passagens da família Imperial por Pinda. Em 1868 e 1884, a Princesa Isabel esteve na cidade e as duas passagens foram marcantes. A primeira foi repleta de pompa e circunstância. O Barão de Palmeira não mediu esforços para receber bem o casal de príncipes. Mandou construir um Bosque naonde estava implantado um pequeno porto de embarcações no rio Paraíba do Sul. Da casa do Barão, saía uma rua ladeada de palmeiras imperiais que levava os pombinhos recém-casados ao lindo bosque. Hoje esse espaço é conhecido como Bosque da Princesa.

Bosque da Princesa

Já em 1884, a Princesa Isabel foi recepcionada pela Viscondessa de Pindamonhangaba. Na volta, jpa em 1885, a Princesa parou na estação de Pinda. Parou e não foi recebida por absolutamente ninguém a não ser pelos funcionários da estação. Sinais dos tempos….

Seu pai, d. Pedro II também esteve duas vezes na cidade: 1878 e 1886. Em 1878, sua passagem foi rápida, porém marcante. Em comitiva para inauguração oficial da estrada de trem que ligaria Cachoeira Paulista à São Paulo, d. Pedro II pernoitou no solar do Barão de Pindamonhangaba. Lá, participou de um jantar promovido pelo Barão. Nesta ocasião, d. Pedro II, sua esposa, d. Thereza Cristina e a Princesa Isabel também visitaram o casarão do incansável Barão de Palmeira. Para a ilustre visita, o Barão mandou trazer um arquiteto francês que remodelou e redecorou todo o imóvel com tudo o que tinha de última moda na Europa.

Já em 1886, d. Pedro II em visita à região de Ribeirão Preto, parou rapidamente na estação, foi recepcionado por uma comissão da Câmara e foi entregue bouquês de flores por algumas alunas dos colégios de Pindamonhangaba. Essa seria a última passagem do monarca e sua família pela cidade imperial.

Museu dom Pedro I - detalhe do Brasão do Império

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