Olá amigos,

Ultimamente anda bem difícil escrever aqui no blog por conta do meu tempo estar cada vez mais escasso. Final de ano todos sabem como é corrido, ainda mais quando se está no final do curso, com inúmeras preocupações dentro e fora da faculdade. Tenho dedicado meu tempo para escrever minha monografia. Trago a boa notícia de que já estão escritos 2 capítulos. O primeiro dedica-se basicamente à explicação das origens sagradas da realeza, buscando identificar como e quando surgiu esse caráter místico que envolve o poder monárquico. O segundo capítulo trato do caso brasileiro, explicando suas origens portuguesas e francesas e as formas que a monarquia brasileira encontrou para legitimar seu poder.

Bom, o terceiro capítulo será a grande descrição das tantas viagens desse nosso “monarca itinerante”. E para isso, visitei o Rio de Janeiro como já relatei aqui e rodei todo o Vale do Paraíba. Hoje mesmo estive no Arquivo do Estado de SP, onde acredito ser minha última etapa de pesquisa.

Voltando aos casos dessas minha pitorescas viagens pelos Arquivos, Museus e Bibliotecas, quero relatar o ponto mais baixo de toda minha pesquisa.

Na busca pelos documentos e jornais que relatassem as visitas do Imperador e de sua filha pelo Vale Histórico fui até Cruzeiro, no Museu Major Novais. Já havia lido pela Internet que o Museu está em estado deplorável de conservação, mas não imaginava tanto. Ao chegar lá, pude ver o que Monteiro Lobato relatou em seu livro “Cidades Mortas”: a decadência do período áureo das cidades do Vale. Pensar que o casarão imponente do poderoso Major Novais, dono de grande parte das terras de Cruzeiro e que, graças a sua proximidade com d. Pedro II, conseguiu trazer para suas terras o entroncamento da ferrovia “Minas and Rio” com a “Pedro II”, dando origem ao povoado, depois vila e hoje cidade de Cruzeiro, estaria nesta situação. Tudo está por cair, madeiramento podre, portas tortas, assoalho carcomido, cômodos sem luz e ventilação. E dentro de tudo isso está o maior conjunto documental do Vale do Paraíba.

Lá dentro, em um cômodo escuro, úmido e sujo estão estantes e mais estantes de documentos cartorários e judiciais das cidades de Cruzeiro, Bananal, São José do Barreiro, Silveiras e Queluz. Tudo pôsto em pastas, obedecendo ao mínimo de organização que exige-se a um arquivo. Em outro cômodo, sem luz, encontra-se muitas caixas de papelão com diversos documentos, entre inventários, escrituras e jornais. Nessas caixas, escondidas num canto, Heloisa e eu achamos os jornais das cidades que pesquiso. Grande parte eram jornais de Bananal, mas todos do período republicano. Os jornais do período do Império do Brasil se perderam com o tempo.

Museu Major Novais

Outro ponto que me incomodou muito no Museu Major Novais foi o atendimento. De manhã fica uma senhora com boa vontade, mas sem conhecimento algum sobre o arquivo e seus documentos. O lado bom foi que ela liberou o arquivo para pudéssemos “fuçar” à vontade em todas as caixas. Agora à tarde, estava presente o responsável pelo Museu, professor Carlos Felipe. Ao contrário da senhora, ele conhece bastante o arquivo, mas não tem disposição alguma de ajudar. Aliás, no alto de seu ego, mais atrapalha do que ajuda, criticando a tudo e a todos, menosprezando o trabalho dos outros e indicando caminhos perigosos para um pesquisador leigo. Enfim, o atendimento do Museu Major Novais é tão precário quanto à estrutura de seu prédio.

Não encontrei muita informação que me ajudasse a desvendar onde d. Pedro II e sua filha teriam se hospedado, quando e o que fizeram em suas passagens pelo Vale  Histórico. Alguns textos informam que foram várias as passagens dos monarcas por Areias e Bananal. Mas, “várias” é muito relativo. Tenho as seguintes informações fragmentadas abaixo:

– Bananal: d. Pedro II hospedou-se por 2 vezes na Fazenda Resgate.

– Areias: d. Pedro II e a Princesa Isabel participaram várias vezes de saraus e bailes com os nobres do café, hospedando-se no Hotel Sant’anna. Em 1888, a Princesa Isabel teria dado uma festa em comemoração à abolição da escravidão.

– São José do Barreiro: em 1874, o Conde D’Eu hospedou-se na Fazenda São Miguel, do comendador Luis Ferreira de Souza Leal, para caçadas com nobres da corte.

Fazenda Resgate - Bananal

Em Cruzeiro, as informações parecem mais claras, mesmo assim ainda não possuo confirmações mais fidedignas do que relatos pessoais e “causos” contados pela população e escritos em um dos livros da “Coleção Cadernos Culturais do Vale do Paraíba”. Lá consta que o Imperador teria passado 3 vezes por Cruzeiro.

– 1882: em visita às obras do Túnel Grande da Serra da Mantiqueira, na estrada de ferro que ligaria Três Corações (MG) a Cruzeiro (SP). Nesta visita ficou hospedado na residência dos engenheiros no Morro dos Ingleses, em Cruzeiro.

– 1883: uma possível visita para inspeção final na estrada de ferro

– 1884: a 14 ou 22 de junho, o Imperador veio com comitiva e família para inaugurar a estrada de ferro “Minas and Rio”. Nesta ocasião, a princesa Isabel chegou a relatar que gostaria de chupar jabuticabas do pé, pois eram mais saborosas. O incansável Major Novais não pensou duas vezes. Mandou seus escravos arrancarem uma jabuticabeira e trazê-la até à beira da estação, para que assim Vossa Alteza Imperial pudesse satisfazer seus desejos.

O próprio Major Novais parecia ter uma admiração venerável pela família Imperial. Quando a Monarquia caiu e foi dado o golpe da República, o major ficou inconformado. Saiu da vida política e dedicou-se apenas à sua propriedade. Em sinal de protesto, resolveu fazer uma homenagem ao seu eterno Imperador. Deixou a barba crescer para parecer com o Imperador e foi visitá-lo na França, onde d. Pedro II estava exilado.

Enfim, Cruzeiro me forneceu várias histórias e causos, mas nenhuma certeza. Se alguém tiver uma luz para mim, por favor, entre em contato.

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