Feliz Natal a todos

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Recordei-me deste anúncio da revista História da Biblioteca Nacional, que ilustra bem os votos deste historiador e pesquisador para todos vocês neste Natal. Feliz Natal e um ótimo 2012! Clique na imagem para ampliá-la.

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1878: uma viagem expressa pelos trilhos do trem

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Gostaria de relembrar que trago aqui apenas trechos da minha monografia, dando destaques aos principais acontecimentos e breves análises sobre a viagem de d. Pedro II em 1878 pelo Vale do Paraíba. Divirtam-se!

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1878 era ano de eleições nas diversas municipalidades do Império e os republicanos começavam a tomar corpo com a vitória de alguns candidatos. A aprovação da Lei do Ventre Livre em 1871 fomentou a ira dos cafeicultores das províncias do sul e, principalmente dos escravocratas valeparaibanos.

A prova de que os republicanos já incomodavam muitos setores da política está no jornal Gazeta de Taubaté (11 de agosto de 1878, p. 2) que relata: “a força pública de Jacarehy tomou o largo da Matriz, fez exercício de fogo, debandou o povo e tomou o paço municipal. Ouviam-se gritos de morram os republicanos!” e complementa mais à frente “os republicanos venceram nas Araras. Os republicanos e os conservadores na Limeira”. Há vários relatos de abusos de poder, brigas e uso necessário da força pela polícia para conter os desgostosos. “Em Jacarehy a força de linha foi obrigada a retirar-se. Houve uma liga entre fazendeiros. Os republicanos triunfam” (Gazeta de Taubaté, 11 de agosto de 1878, p. 2). O poder da monarquia começava a ser questionado não somente pelos primeiros republicanos, mas também pelos mais radicais do Partido Liberal.

Sabendo da importância que a presença de sua figura iria causar nas elites valeparaibanas é que d. Pedro II refez o caminho percorrido pelo seu genro um ano antes, “inaugurando” novamente cada estação de trem das cidades da região. Tratava-se de uma viagem expressa, com pequeno espaço para as cerimônias pomposas e para os encontros demorados com os políticos locais – agradando ao Imperador que já estava cansado desse tipo de ritual pomposo e bajulador.

Às 14h40, d. Pedro II, a Imperatriz Thereza Cristina e toda a comitiva chegaram à Guaratinguetá. Após breve recepção na estação de trem, seguiram de carruagem até o palacete do Visconde de Guaratinguetá, “onde lhes foram servido jantar, durante o qual a banda de música tocou” (MOURA, 2002, p. 112). Dali visitaram a igreja Matriz e a Santa Casa de Misericórdia (Diário do Norte, 11 de setembro de 1878, p. 2). Era desejo da Imperatriz uma visita à capela de Nossa Senhora Aparecida, mas foi negado por d. Pedro II que, talvez pela necessidade de logo embarcar para São Paulo, furtou-se de conhecer a capela tão visitada por sua filha. Em carta ao amigo Conde d’Eu, o Visconde de Guaratinguetá transpassa sua decepção com a negativa do Imperador em visitar a capela, que estava toda preparada para a ocasião. […] Eu senti que S. Majestade lá [na capela de Nsa. Sra. Aparecida] não fosse para ver com o estado de adiantamento em que vai aquela importante obra […]. Eu tinha mandado armar a Igreja, e tudo estava disposto para a recepção imperial (1878 apud MOURA 2002, p. 127).

Partiram dali para Pindamonhangaba. Na manhã seguinte visitaram alguns prédios públicos e foram até o palacete do Barão da Palmeira para contemplarem a vista do “soberbo Vale do Paraíba e a majestosa Serra da Mantiqueira” (MARCONDES, 1922, p. 35). O convite do Barão da Palmeira não se restringia apenas para que a família Imperial se deslumbrasse com a vista da região. Para a ocasião, ele havia mandado remodelar todo o seu palacete, trazendo um arquiteto e um decorador da França, além de adquirir vários objetos de decoração e utensílios domésticos de alto valor financeiro e artístico.

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Em Taubaté, o jornal Gazeta de Taubaté (11 de agosto de 1878, p. 3) traz a notícia da chegada do monarca de forma bem diferente daquela feita quando a Princesa Isabel pisou em solo taubateano. Usando da sátira, o jornal flerta com uma fina ironia à figura intelectual do Imperador e também faz duras críticas à pompa e à ritualística empregadas na recepção do monarca, afirmando que enquanto as lavouras da região carecem de investimento, d. Pedro II e as elites da região estão mais preocupadas com os “dias de gala” que a monarquia irá oferecer na cidade. “E o que é mais notável é – que os empregados públicos são os que mais lucram com a vinda da Majestade: que o diga cá o redator da história, em?” (Gazeta de Taubaté, 11 de agosto de 1878, p. 3). O articulista continua sua sátira às tantas pompas e cerimônias preparadas pelas cidades que recepcionaram d. Pedro II na sua rápida passagem, fazendo uma pequena poesia:

Já lá vai um dia de grande gala.

Em Lorena, a mesma cantilena!

Em Guaratinguetá…ta…ta…

Em Pindamonhangaba, o mesmo doce de goiaba.

Em Taubaté, o mesmo rapapé.

Em Caçapava… nada caçava… (Gazeta de Taubaté, 11 de agosto de 1878, p. 3).

Em 2 de outubro retornaram a Taubaté, chegando ás 10 horas da manhã e permanecendo por um período mais longo que na ida. A estação estava devidamente enfeitada com flâmulas, bandeiras e flores, além da presença do “Sr. Dr. presidente da câmara municipal, autoridades civis, clero e, numerosamente, povo em número superior a 1000 pessoas” (Gazeta de Taubaté, 6 de outubro de 1878, p. 2).
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Novamente o redator do Gazeta de Taubaté faz uma análise muito perspicaz sobre a importância que todo o jogo teatral de poder da monarquia, com sua pompa e circunstância, tem na formação da posição política de muitos cidadãos, sejam eles nobres ou não:

Não desgosto dessas manifestações, não senhores. Ao contrário, regala-me ver o povo como as cruzetas dos ventos que se movem ao menor sopro. Porem não gosto de ver o servilismo em ação quando se trata de certos, independentes e determinados caracteres que bem podiam abdicar da sem cerimonia com que se manifestam – hoje republicanos, amanhã socialistas, mais tarde liberal, conservador… etc. porque um cartório… uma barreira… até mesmo um jantar, fascina-os de tal modo que seria um crime de leso-interesse declinar do plano a que se inclinam” (Gazeta de Taubaté, 12 de outubro de 1878, p. 3).

As pompas da monarquia pareciam encantar menos aos olhos e desagradar mais à razão dos descontentes com o regime nas cidades valeparaibanas.


Livros:

MARCONDES, A. Pindamonhangaba através de dois e meio séculos. São Paulo: Tip. Paulista, 1922.

MOURA, C. E. M. O Visconde de Guaratinguetá: Um Titular do Café no Vale do Paraíba. São Paulo: Studio Nobel, 2002.

Jornais:

Diário do Norte, 11 de setembro de 1878.

Gazeta de Taubaté, 11 de agosto de 1878.

Gazeta de Taubaté, 6 de outubro de 1878.

Gazeta de Taubaté, 12 de outubro de 1878.

Documentos avulsos:

Arquivo da Casa Imperial do Brasil, Doc. 8192, de 12 de outubro de 1878.

Apresentação da monografia

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Caros amigos,

Acabo de voltar de Taubaté, onde defendi minha monografia perante a banca composta pelos professores Isnard Albuquerque Câmara Neto, Maria Januária Vilela Santos e pela minha orientadora Maria Fátima de Melo Toledo.

É com grata satisfação que anuncio que minha monografia tirou 10, com louvor! Abaixo algumas fotos.

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Agradeço a todos meus familiares, amigos e pessoas que conheci durante esse 1 ano e meio de pesquisa e que me ajudaram muito para que eu pudesse levar esse 10 para casa!

1868: uma princesa devota

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Procurei reproduzir aqui trechos da minha monografia, destacando apenas os aspectos principais das visitas de d. Pedro II e da Princesa Isabel em cada cidade. Os capítulos 1 e 2, mais conceituais, serão abordados em outra oportunidade.

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Ao alastrar-se, a notícia da visita do monarca gerava grande comoção e fazia muitas cidades se prepararem mesmo antes da formalização da visita. Foi o que ocorreu com Bananal em duas ocasiões: 1845 e 1849. Em 1845, a notícia de que o Imperador estava planejando a sua primeira visita para fora da província do Rio de Janeiro, com destino à São Paulo, exaltou os ânimos dos bananalenses, que vendo-se na rota de uma possível viagem por terra acreditaram que d. Pedro II deveria parar na cidade pela importância econômica de Bananal. Pois bem, a Câmara Municipal mobilizou os proprietários que enviassem seus escravos para consertarem as estradas da cidade. Além disso, organizou uma comissão responsável por criar um programa da visita do Imperador, destinou recursos financeiros para a realização de um Te-Deum na igreja matriz, para os festejos e para as reformas necessárias nas ruas e praças, com a instalação de dois arcos iluminados, além da orientação de que todos os cidadãos enfeitassem suas casas (RAMOS, 1975, p. 141-144). Para decepção dos bananalenses, o Imperador visitou a província de São Paulo, mas não passou pela cidade, embarcando no porto de Santos direto para o Rio de Janeiro.

Nos finais de 1868, a Princesa Isabel e seu recém-esposo Conde d’Eu, foram excursar em Minas Gerais para fazer uso das águas termais, famosas à época para usos medicinais. Na volta, o roteiro da viagem passava pelas principais cidades do Vale do Paraíba paulista rumo à capital da província de São Paulo, onde iriam cumprir uma série de compromissos oficiais (EVANGELISTA, 1978, p. 131).

Porém, o roteiro da viagem dos príncipes teve que sofrer uma redução. O Conde d’Eu havia sido chamado por d. Pedro II para assumir as tropas do Brasil na Guerra do Paraguai e, por isto, deveria abandonar os planos de estender a viagem até a capital.

Finalmente, os príncipes chegaram à Lorena e logo “sendo encontrados por mais de cento e sessenta cavaleiros” (Correio Paulistano, 23 de dezembro de 1868, p. 2) ainda na estrada que ligava Itajubá à Lorena, no local conhecido como fazenda do Campinho. Todos os preparativos foram realizados na cidade, desde reparos nas ruas, até a instalação de arcos, além da tradicional decoração das portas e janelas das casas da cidade. A comissão responsável por esta recepção foi nomeada pela Câmara e tinha a missão de “promover e dirigir os festejos na cidade, a fim de que seja a recepção a mais suntuosa possível” (Ata da Câmara de Lorena de 21 de novembro de 1868).

Para abrilhantar ainda mais a recepção preparada pelo comendador Castro Lima, contratou-se a companhia lírica de Carlotta Augusta Candiani, de enorme sucesso na Corte. “O cel. José Vicente de Azevedo havia feito vir de S. Paulo, a cavalo e em carros de boi, a artista ilustre e toda a sua lírica companhia” (RODRIGUES, 1942, p. 16). A récita de Candiani foi apresentada em um espetáculo de gala no pequeno teatro local, onde a elite lorenense esteve presente.

Visconde de Guaratinguetá

O Visconde de Guaratinguetá, homem mais poderoso em todo o Vale do Paraíba à época, anunciou a chegada da Princesa Isabel e do Conde d’Eu à cidade em sessão da Câmara Municipal de 3 de novembro de 1868. Além disso, ordenou “ao vigário e Mestre da capela para celebrar um Tedeum Laudamus no dia da chegada e afixar edital convidando o povo deste município para fazerem as festas que quiserem por tão fausto acontecimento” (Ata da Câmara de Guaratinguetá,3 de novembro de 1868).

Desta forma, ao adentrarem na cidade, a Princesa Isabel e seu marido, acompanhados pelos cavaleiros que vieram desde Lorena, devem ter se deparado com esse espetáculo descrito pelo hiperbólico articulista do jornal O Parahyba (13 de dezembro de 1868, p. 2):

Quando se aproximaram SS.AA.II., estrondaram nos ares inúmeros foguetes, que se despendiam rápido, e quase sucessivamente de diversas e grandes girandolas, e atroaram o espaço ferventes e entusiásticas aclamações do povo sem distinção de partidos políticos. Ao passarem por sob o arco do centro da cidade duas encantadoras e bem adornadas meninas, simulando dois anjos, derramaram sobre a cabeça dos augustos viajantes como que a sua cornucópia de jasmins e rosas.

No dia seguinte, os príncipes dirigiram-se à capela de Nossa Senhora Aparecida, como já era esperado pelo Visconde.Os príncipes chegaram à capela logo cedo, às seis horas da manhã. Para a Princesa Isabel o momento também era aguardado com grande expectativa, pois além de devota da santa, tinha por objetivo pedir intercessão a Nossa Senhora por dois motivos: que engravidasse dos herdeiros do Império (pois estava em tentativas fracassadas desde seu casamento em 1864) e também que a missão de seu esposo no Paraguai terminasse o mais breve possível e em sucesso (EVANGELISTA, 1978, p. 131).Adentraram à igreja e rezaram uma novena em louvor à santa. Camargo (1970, p. 291) relata, a partir do testemunho ocular do alferes Antônio José dos Santos, que nesse momento “dona Isabel doou a Nossa Senhora um riquíssimo manto com brilhantes, no valor de 18 contos de réis”.Ao saírem da capela, ocorreu mais um momento de êxtase para os ali presentes, principalmente para encanto dos príncipes, como descreve Moura (2002, p. 108):

Saindo à praça, foi o casal homenageado por Antônio Joaquim da Silva Ramos, com um solo de trombone de vara. O músico de Aparecida era dono de um talento inesperado: executava solos com os dedos do pé! Foi grande o sucesso de Antônio Ramos: o príncipe o abraçou, a princesa ofereceu-lhe um lenço de seda e o trombonista foi convidado para tocar nessa mesma noite no baile que, em seu solar da Rua da Figueira, em Guaratinguetá, o visconde ofereceria aos Condes d’Eu.

Antônio trombonista, como era conhecido, era ex-escravo e costumava tocar nas festas da capela. Por possuir um dom especial para a música, emocionou os príncipes, que o levaram a deixar sua condição de anônimo para tornar-se músico profissional. “Dizem que Antônio seguiu para Vila Rica, Ouro Preto e seus estudos foram a expensas da Princesa e até consta que foi para a Europa” (CAMARGO, 1970, p. 293).

No quinto dia de hospedagem na cidade do Visconde de Guaratinguetá, os príncipes decidiram fazer nova visita à capela de Aparecida. Nesta segunda visita dos príncipes à capela, há uma história que contribuiu para a mística envolta à figura da princesa e da santa encontrada no rio Paraíba do Sul. O jornal O Parahyba (13 de dezembro de 1868, p. 3) relata o acontecido como “um novo verdadeiro milagre de N. S. da Conceição Aparecida”. A história foi disseminada pelos jornais da capital da província de São Paulo e também da Corte.
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O jornal Correio Paulistano (22 de dezembro de 1868, p. 2) relatou que um guarda nacional que havia sido escolhido para juntar-se às tropas na Guerra do Paraguai tentou por todas as vias legais deixar de fazer parte do quadro de soldados de guerra. Porém, com a urgência do recrutamento em massa, o delegado de Lorena, José Vicente de Azevedo, não hesitou, mandou prender e algemar o guarda, enviando-lhe à pé até São Paulo. Quando passou por Aparecida, o guarda pediu que parassem para que ele orasse na capela. Neste mesmo instante em que estava ajoelhado orando, adentrou ao templo a Princesa Isabel, o Conde d’Eu, o Visconde de Guaratinguetá e os poucos membros da comitiva que os acompanhavam nesta rápida e não planejada visita. O guarda acorrentado jogou-se aos pés da princesa, implorando a reparação pela injustiça que estava sofrendo, solicitando que lhe fossem tiradas as algemas. A Princesa Isabel então pediu ao Conde d’Eu que ordenasse a retirada das algemas. Este logo se aproximou do tenente que acompanhava o guarda preso e indagou: “Que fez este homem? É assassino, é criminoso?” (O Parahyba, 13 de dezembro de 1868, p. 3). O tenente então respondeu que se tratava de um guarda nacional designado. Surpreso, o Conde exclamou: “um guarda nacional designado! Pois conduz-se, assim, algemado um guarda nacional n’um paiz livre! Oh! sr. tenente, mande tirar estas algemas; o guarda nacional irá como homem de bem” (O Parahyba, 13 de dezembro de 1868, p. 3).

Barão da Palmeira

Após longa estada, finalmente pelo dia 14, às 5 horas da manhã, o casal deixou Guaratinguetá rumo à Pindamonhangaba. A cidade de Pindamonhangaba também tentou encantar o casal durante a breve visita que fizeram à localidade. Nos três dias que ali permaneceram, tiveram como principal anfitrião o Barão da Palmeira, que não mediu esforços para tornar sua estada a mais aprazível possível.

Um dos grandes destaques da estada da Princesa Isabel e do Conde d’Eu em Pindamonhangaba, foi a construção de um bosque pelo Barão da Palmeira. A pedido do titular, o presidente da Câmara comprou uma faixa de terra de aproximadamente 450 m2 que se localizava entre o palacete do titular e o rio Paraíba do Sul, exatamente onde hoje se encontra o parque municipal Bosque da Princesa. A intenção do Barão da Palmeira era construir um requintado lugar onde os recém-casados, pudessem desfrutar de momentos de privacidade. O titular “mandou vir da França botânicos e um desenhista para remodelar completamente o logradouro, resultando num bosque com diversos tipos de árvores, de várias origens e de várias espécies” (GUIMARÃES, 2007, p. 50).

Visconde do Tremembé

No dia 16 de dezembro o casal partiu de Pindamonhangaba e chegou à Taubaté, última cidade da província de São Paulo a visitarem antes de retornarem à Corte, para atender ao chamado de d. Pedro II.

Ao entrarem na cidade de Taubaté, as janelas das casas encontravam-se “cheias de moças, que em todo o trajeto, faziam cair uma chuva de flores sobre o carro em que vinham Suas Altezas Imperiais” (Paulista,20 de dezembro de 1868, p. 3). A casa do então Barão de Tremembé, principal titular da cidade e responsável pela organização e hospedagem dos príncipes Imperiais, encontrava-se com especial iluminação instalada para a ocasião. Haviam sido montados dois coretos em frente ao palacete, onde tocavam as bandas musicais da cidade.

No dia seguinte, logo às 7 horas da manhã, os príncipes Imperiais em companhia do barão e da baronesa de Tremembé foram visitar a capela de Tremembé. Ao saírem da capela, juntou-se a eles o conselheiro Feijó e o juiz de direito da comarca de Taubaté, para visitarem “a Cadeia, o Convento de S. Clara, cemitério anexo e o Hospital de caridade” (Paulista, 20 de dezembro de 1868, p. 3). O hospital visitado se transformaria no futuro hospital Santa Isabel, tendo como patrona e uma das principais financiadoras a própria Princesa Isabel.
Dali partiram no dia 19 de dezembro para Pindamonhangaba, alcançando Guaratinguetá no mesmo dia. Dos três dias que passaram na residência do Visconde de Guaratinguetá, ficou marcado na memória dos presentes o faustoso jantar oferecido pelo Visconde e pelos príncipes à elite local (MOURA, 2002, p. 110). Às 7 horas da manhã do dia 23 de dezembro seguiram para Lorena e depois rumaram para o Rio de Janeiro. Sofreu então Isabel a angústia de ver o marido partir para a guerra, quando tudo estava tão incerto.
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Referências Bibliográficas

CAMARGO, C. B. R. Passagem da Princesa Isabel em Guaratinguetá e Aparecida. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paulista, vol. LXVII, São Paulo, 1970.

EVANGELISTA, J. G. Lorena no século XIX. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1978.

GUIMARÃES, B. Recontando a História de uma Princesa. Pindamonhangaba: São Benedito, 2007.

MOURA, C. E. M. O Visconde de Guaratinguetá: Um Titular do Café no Vale do Paraíba. São Paulo: Studio Nobel, 2002.

RAMOS, A. Pequena história de Bananal. São Paulo: Sangirardi, 1975.

RODRIGUES, Gama. O Conde de Moreira Lima. São Paulo: IGB, 1942.

Jornais

Correio Paulistano, São Paulo, 23 de dezembro de 1868.

Correio Paulistano, São Paulo, 22 de dezembro de 1868.

O Parahyba, Guaratinguetá, 13 de dezembro de 1868.

Paulista, Taubaté, 20 de dezembro de 1868.

Documentos avulsos

Ata da Câmara de Lorena de 21 de novembro de 1868.

Ata da Câmara de Guaratinguetá,3 de novembro de 1868.

Apresentação do trabalho

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Para os interessados, segue a data e local da apresentação desse meu trabalho de conclusão de curso:

Dia: 09 de dezembro

Horas: 19h00

Local: Dep. Ciências Sociais e Letras UNITAU – R. Visconde do Rio Branco, 22, Taubaté – SP

Todos estão convidados(as)!!

Os passos do Imperador no 19º SIICUSP

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Olá amigos,

Nesta última 2ª feira (21/11) estive no SIICUSP (Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP) apresentando meu trabalho.

Foi muito bacana! Pude mostrar o que estudei e pesquisei nesse último ano. Este Simpósio na USP atrai pessoas de todas as regiões do país e de diversas instituições, gerando uma troca de informações, visões e pensamentos muito interessante. Acredito que o “sair da caixa” é essencial para qualquer acadêmico, para refrescar as ideias e enxergar além do círculo de teorias em que ele está imerso.

Na mesa que participei estavam mais um aluno da USP, um da Univ. Federal de Juiz de Fora e uma aluna da Unifesp. O professor coordenador da mesa era o Prof. Paulo Cezar Garcez Marins, do Museu Paulista. Abaixo segue a mesa e os temas dos demais palestrantes:

Mesa 33

História do Império (Brasil)

Coordenador(a): Prof(a).  Paulo Cezar Garcez Marins – FFLCH

Local:    Letras  sala: 112  dia: 21/11 das 16h30 às 18h30

1293 – GLAUCO DE SOUZA SANTOS

OS PASSOS DO IMPERADOR: VIAGENS DE D. PEDRO II PELO VALE DO

PARAÍBA COMO FORMA DE LEGITIMAÇÃO DA MONARQUIA (1868-1889)

75 – JOSÉ ROGERIO BEIER

DANIEL PEDRO MULLER E SEU MAPPA CHOROGRAPHICO DA PROVINCIA DE

SÃO PAULO (1835-1842)

2508 – PEDRO HENRIQUE LEÃO COELHO

O SUL DE MINAS DURANTE O SÉCULO XIX: UMA ANÁLISE SÓCIO-ECONÔMICA

COMPARATIVA.

5007 – TUANNY FOLIENI ANTUNES LANZELLOTTI

A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS: REPRESENTAÇÃO E IDEAIS NO PERÍODO DE

TRANSIÇÃO ENTRE IMPÉRIO E REPÚBLICA (1888-1889)

O mais importante desse Simpósio são os comentários e perguntas do professor ao final. Ano passado já havia participado com outro trabalho e também considerei o final a parte mais enriquecedora. As posições e questionamentos fazem você aprimorar seu trabalho e enxergar pontos de vista até então não vistos. Houve dessa vez também um debate entre os participantes, questionando e levantando algumas hipóteses sobre os 4 trabalhos.

Minha apresentação foi bem recebida e o tema do meu trabalho foi elogiado pelo professor Paulo Garcez que o considerou “extremamente muito interessante”, pois se trata de um recorte temático que até então ele não havia conhecido em nenhum outro estudo. Mesmo assim, particularmente, eu considero que há alguns pontos da apresentação que devem ser melhorados para a Banca da minha monografia.

Última estação: Arquivo do Estado de São Paulo

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Bem amigos, finalmente estamos nos finalmentes. Amanhã entrego minha monografia e começo a me preparar para minha defesa na banca. Além da minha orientadora, a prof. Drª. Maria Fátima de Melo Toledo, estarão lá os dois professores que convidei para serem avaliadores do meu trabalho: prof. Dr. Isnard de Albuquerque Câmara Neto e a prof. Drª. Maria Januária Vilela Santos.

Nos próximos posts, vou colocar trechos das histórias das viagens de d. Pedro II e da Princesa Isabel pelo Vale do Paraíba. Histórias que coletei ao longo das minhas pesquisas nos empoeirados arquivos da região.

Bom, hoje gostaria de contar o último arquivo que passei: o Arquivo do Estado de São Paulo. Nos meus planos iniciais, eu não iria ao Arquivo do Estado, mas quando acabei de visitar os arquivos aqui da região, analisei as tantas peças do quebra-cabeça que tinha pesquisado ao longo dos meses e vi que ainda faltavam algumas peças. Primeiramente, pensei em ir ao Rio de Janeiro novamente para pesquisar nas edições do Jornal do Commercio,  na época o melhor e mais abrangente jornal da Corte. Mas, devido ao tempo curto que teria e também à escassez de dinheiro em que eu me encontro, optei por uma alternativa mais barata. Aliás, fazer pesquisa sem o auxílio de bolsa e sendo estagiário é algo desafiador.

O acervo de jornais do Arquivo do Estado é fenomenal! Possui jornais desde os primórdios da imprensa no Brasil, com edições próximas aos primeiros anos do Brasil independente. Minha pesquisa se baseou nos jornais do período entre 1846 a 1889. Obviamente que comecei pelos jornais dos anos de 1868, 1878, 1884 e 1886, quando d. Pedro II e a Princesa Isabel viajaram pelo Vale. Infelizmente não deu tempo de pesquisar nos demais jornais de outras datas.

Em todas as datas encontrei vastas informações. Em 1868 e, principalmente em 1886 haviam belíssimas descrições detalhadas das viagens dos Imperantes pela região. Com o avanço da tecnologia, proporcionada pela 2ª Revolução Industrial, os jornalistas se comunicavam com as sedes dos jornais ou por telégrafo, ou pelo telegrama que viajava todos os dias pelos trens. Desta forma, com a diferença de apenas um dia, o jornal Correio Paulistano publicava o que havia acontecido nas visitas do Imperador. O Correio Paulistano está para São Paulo do século XIX, assim como o Jornal do Commercio está para o Rio de Janeiro do mesmo período.

Deixarei para os próximos posts o destaque de alguns acontecimentos pitorescos dessas viagens, mas trago aqui em primeira mão o menu do jantar servido em Lorena pelo então Visconde de Moreira Lima para recepcionar d. Pedro II e a Imperatriz Thereza Cristina em 1886. A tradução do francês para o português é da minha irmã, Naiara Santos. Deliciem-se!

ORIGINAL

TRADUÇÃO

Potages

Creme de volaille aux pointes d’Asparge

Consomné printaimier

 

Hors-d’oeuvre

Rissoles a la Perigord

Croustades a la Montglas

 

Relevés

 

Garoupa sauce écrevisses

Filet aux pommes de terre

 

Entrées

 

Gatueax à la Napolitaine

Còtelettes d’agneau aux petits poix

 

Piéces froides

Mayonnaise de hommard à la gelèe

 

Aspic1 de fois gras

Funch a la Imperiale

 

Dinde à la Brésilliene

Jambon d’York et historié

 

Entremets

Asperges sauce Hollaise

Pudding a la Diplomate

Gelée fouettée

Bavaroise a la Vanille

Fromage glacé

 

Fruits de la saison

 

Dessert Assorti

 

Cafée cognac et liqueurs

Sopas

Creme de frango com aspargos

Consumir primeiramente

 

Aperitivo

Rissoles à moda Perigord

Crisps à Montglas

 

Discursos (ou brindes)

 

Garoupa com molho de lagosta

Filé com maçãs da terra

 

Entradas

 

Bolos napolitanos

Costelas de cordeiro com ervilhas

 

Saladas

Maionese com pinças de crustáceo gelada

 

“Foie gras” significa “fígado gordo”2

Erva-doce à moda Imperial

 

Perú à moda brasileira

Presunto de York e “conversas”

 

Sobremesas

Aspargos ao molho apimentado

Pudim à Diplomata (pudim de pão)

Chantily gelado

“Creme” de baunilha

Pudim de queijo gelado

 

Frutas da estação

 

“Docinho de saída”

 

Café, conhaque e licor

 

1 O Aspic liquido, é usado em geral na culinária, na preparação de musses e terrines, e também para dar brilho às carnes e aves. Faz-se adicionando gelatina ao consomê, que pode ser cortado em formas decorativas para guarnição.

2 É o fígado de um pato ou ganso super-alimentado. Junto com as trufas, o foie gras é considerado uma das maiores iguarias da culinária francesa.

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