Apresentação da monografia

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Caros amigos,

Acabo de voltar de Taubaté, onde defendi minha monografia perante a banca composta pelos professores Isnard Albuquerque Câmara Neto, Maria Januária Vilela Santos e pela minha orientadora Maria Fátima de Melo Toledo.

É com grata satisfação que anuncio que minha monografia tirou 10, com louvor! Abaixo algumas fotos.

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Agradeço a todos meus familiares, amigos e pessoas que conheci durante esse 1 ano e meio de pesquisa e que me ajudaram muito para que eu pudesse levar esse 10 para casa!

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Apresentação do trabalho

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Para os interessados, segue a data e local da apresentação desse meu trabalho de conclusão de curso:

Dia: 09 de dezembro

Horas: 19h00

Local: Dep. Ciências Sociais e Letras UNITAU – R. Visconde do Rio Branco, 22, Taubaté – SP

Todos estão convidados(as)!!

Última estação: Arquivo do Estado de São Paulo

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Bem amigos, finalmente estamos nos finalmentes. Amanhã entrego minha monografia e começo a me preparar para minha defesa na banca. Além da minha orientadora, a prof. Drª. Maria Fátima de Melo Toledo, estarão lá os dois professores que convidei para serem avaliadores do meu trabalho: prof. Dr. Isnard de Albuquerque Câmara Neto e a prof. Drª. Maria Januária Vilela Santos.

Nos próximos posts, vou colocar trechos das histórias das viagens de d. Pedro II e da Princesa Isabel pelo Vale do Paraíba. Histórias que coletei ao longo das minhas pesquisas nos empoeirados arquivos da região.

Bom, hoje gostaria de contar o último arquivo que passei: o Arquivo do Estado de São Paulo. Nos meus planos iniciais, eu não iria ao Arquivo do Estado, mas quando acabei de visitar os arquivos aqui da região, analisei as tantas peças do quebra-cabeça que tinha pesquisado ao longo dos meses e vi que ainda faltavam algumas peças. Primeiramente, pensei em ir ao Rio de Janeiro novamente para pesquisar nas edições do Jornal do Commercio,  na época o melhor e mais abrangente jornal da Corte. Mas, devido ao tempo curto que teria e também à escassez de dinheiro em que eu me encontro, optei por uma alternativa mais barata. Aliás, fazer pesquisa sem o auxílio de bolsa e sendo estagiário é algo desafiador.

O acervo de jornais do Arquivo do Estado é fenomenal! Possui jornais desde os primórdios da imprensa no Brasil, com edições próximas aos primeiros anos do Brasil independente. Minha pesquisa se baseou nos jornais do período entre 1846 a 1889. Obviamente que comecei pelos jornais dos anos de 1868, 1878, 1884 e 1886, quando d. Pedro II e a Princesa Isabel viajaram pelo Vale. Infelizmente não deu tempo de pesquisar nos demais jornais de outras datas.

Em todas as datas encontrei vastas informações. Em 1868 e, principalmente em 1886 haviam belíssimas descrições detalhadas das viagens dos Imperantes pela região. Com o avanço da tecnologia, proporcionada pela 2ª Revolução Industrial, os jornalistas se comunicavam com as sedes dos jornais ou por telégrafo, ou pelo telegrama que viajava todos os dias pelos trens. Desta forma, com a diferença de apenas um dia, o jornal Correio Paulistano publicava o que havia acontecido nas visitas do Imperador. O Correio Paulistano está para São Paulo do século XIX, assim como o Jornal do Commercio está para o Rio de Janeiro do mesmo período.

Deixarei para os próximos posts o destaque de alguns acontecimentos pitorescos dessas viagens, mas trago aqui em primeira mão o menu do jantar servido em Lorena pelo então Visconde de Moreira Lima para recepcionar d. Pedro II e a Imperatriz Thereza Cristina em 1886. A tradução do francês para o português é da minha irmã, Naiara Santos. Deliciem-se!

ORIGINAL

TRADUÇÃO

Potages

Creme de volaille aux pointes d’Asparge

Consomné printaimier

 

Hors-d’oeuvre

Rissoles a la Perigord

Croustades a la Montglas

 

Relevés

 

Garoupa sauce écrevisses

Filet aux pommes de terre

 

Entrées

 

Gatueax à la Napolitaine

Còtelettes d’agneau aux petits poix

 

Piéces froides

Mayonnaise de hommard à la gelèe

 

Aspic1 de fois gras

Funch a la Imperiale

 

Dinde à la Brésilliene

Jambon d’York et historié

 

Entremets

Asperges sauce Hollaise

Pudding a la Diplomate

Gelée fouettée

Bavaroise a la Vanille

Fromage glacé

 

Fruits de la saison

 

Dessert Assorti

 

Cafée cognac et liqueurs

Sopas

Creme de frango com aspargos

Consumir primeiramente

 

Aperitivo

Rissoles à moda Perigord

Crisps à Montglas

 

Discursos (ou brindes)

 

Garoupa com molho de lagosta

Filé com maçãs da terra

 

Entradas

 

Bolos napolitanos

Costelas de cordeiro com ervilhas

 

Saladas

Maionese com pinças de crustáceo gelada

 

“Foie gras” significa “fígado gordo”2

Erva-doce à moda Imperial

 

Perú à moda brasileira

Presunto de York e “conversas”

 

Sobremesas

Aspargos ao molho apimentado

Pudim à Diplomata (pudim de pão)

Chantily gelado

“Creme” de baunilha

Pudim de queijo gelado

 

Frutas da estação

 

“Docinho de saída”

 

Café, conhaque e licor

 

1 O Aspic liquido, é usado em geral na culinária, na preparação de musses e terrines, e também para dar brilho às carnes e aves. Faz-se adicionando gelatina ao consomê, que pode ser cortado em formas decorativas para guarnição.

2 É o fígado de um pato ou ganso super-alimentado. Junto com as trufas, o foie gras é considerado uma das maiores iguarias da culinária francesa.

Teaser: “Os passos do Imperador”

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Pessoal, acabo de produzir um pequeno vídeo em formato de teaser sobre o trabalho que estou produzindo. Assistam e me digam o que acharam:

Museu Major Novais: decadência e descaso

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Olá amigos,

Ultimamente anda bem difícil escrever aqui no blog por conta do meu tempo estar cada vez mais escasso. Final de ano todos sabem como é corrido, ainda mais quando se está no final do curso, com inúmeras preocupações dentro e fora da faculdade. Tenho dedicado meu tempo para escrever minha monografia. Trago a boa notícia de que já estão escritos 2 capítulos. O primeiro dedica-se basicamente à explicação das origens sagradas da realeza, buscando identificar como e quando surgiu esse caráter místico que envolve o poder monárquico. O segundo capítulo trato do caso brasileiro, explicando suas origens portuguesas e francesas e as formas que a monarquia brasileira encontrou para legitimar seu poder.

Bom, o terceiro capítulo será a grande descrição das tantas viagens desse nosso “monarca itinerante”. E para isso, visitei o Rio de Janeiro como já relatei aqui e rodei todo o Vale do Paraíba. Hoje mesmo estive no Arquivo do Estado de SP, onde acredito ser minha última etapa de pesquisa.

Voltando aos casos dessas minha pitorescas viagens pelos Arquivos, Museus e Bibliotecas, quero relatar o ponto mais baixo de toda minha pesquisa.

Na busca pelos documentos e jornais que relatassem as visitas do Imperador e de sua filha pelo Vale Histórico fui até Cruzeiro, no Museu Major Novais. Já havia lido pela Internet que o Museu está em estado deplorável de conservação, mas não imaginava tanto. Ao chegar lá, pude ver o que Monteiro Lobato relatou em seu livro “Cidades Mortas”: a decadência do período áureo das cidades do Vale. Pensar que o casarão imponente do poderoso Major Novais, dono de grande parte das terras de Cruzeiro e que, graças a sua proximidade com d. Pedro II, conseguiu trazer para suas terras o entroncamento da ferrovia “Minas and Rio” com a “Pedro II”, dando origem ao povoado, depois vila e hoje cidade de Cruzeiro, estaria nesta situação. Tudo está por cair, madeiramento podre, portas tortas, assoalho carcomido, cômodos sem luz e ventilação. E dentro de tudo isso está o maior conjunto documental do Vale do Paraíba.

Lá dentro, em um cômodo escuro, úmido e sujo estão estantes e mais estantes de documentos cartorários e judiciais das cidades de Cruzeiro, Bananal, São José do Barreiro, Silveiras e Queluz. Tudo pôsto em pastas, obedecendo ao mínimo de organização que exige-se a um arquivo. Em outro cômodo, sem luz, encontra-se muitas caixas de papelão com diversos documentos, entre inventários, escrituras e jornais. Nessas caixas, escondidas num canto, Heloisa e eu achamos os jornais das cidades que pesquiso. Grande parte eram jornais de Bananal, mas todos do período republicano. Os jornais do período do Império do Brasil se perderam com o tempo.

Museu Major Novais

Outro ponto que me incomodou muito no Museu Major Novais foi o atendimento. De manhã fica uma senhora com boa vontade, mas sem conhecimento algum sobre o arquivo e seus documentos. O lado bom foi que ela liberou o arquivo para pudéssemos “fuçar” à vontade em todas as caixas. Agora à tarde, estava presente o responsável pelo Museu, professor Carlos Felipe. Ao contrário da senhora, ele conhece bastante o arquivo, mas não tem disposição alguma de ajudar. Aliás, no alto de seu ego, mais atrapalha do que ajuda, criticando a tudo e a todos, menosprezando o trabalho dos outros e indicando caminhos perigosos para um pesquisador leigo. Enfim, o atendimento do Museu Major Novais é tão precário quanto à estrutura de seu prédio.

Não encontrei muita informação que me ajudasse a desvendar onde d. Pedro II e sua filha teriam se hospedado, quando e o que fizeram em suas passagens pelo Vale  Histórico. Alguns textos informam que foram várias as passagens dos monarcas por Areias e Bananal. Mas, “várias” é muito relativo. Tenho as seguintes informações fragmentadas abaixo:

– Bananal: d. Pedro II hospedou-se por 2 vezes na Fazenda Resgate.

– Areias: d. Pedro II e a Princesa Isabel participaram várias vezes de saraus e bailes com os nobres do café, hospedando-se no Hotel Sant’anna. Em 1888, a Princesa Isabel teria dado uma festa em comemoração à abolição da escravidão.

– São José do Barreiro: em 1874, o Conde D’Eu hospedou-se na Fazenda São Miguel, do comendador Luis Ferreira de Souza Leal, para caçadas com nobres da corte.

Fazenda Resgate - Bananal

Em Cruzeiro, as informações parecem mais claras, mesmo assim ainda não possuo confirmações mais fidedignas do que relatos pessoais e “causos” contados pela população e escritos em um dos livros da “Coleção Cadernos Culturais do Vale do Paraíba”. Lá consta que o Imperador teria passado 3 vezes por Cruzeiro.

– 1882: em visita às obras do Túnel Grande da Serra da Mantiqueira, na estrada de ferro que ligaria Três Corações (MG) a Cruzeiro (SP). Nesta visita ficou hospedado na residência dos engenheiros no Morro dos Ingleses, em Cruzeiro.

– 1883: uma possível visita para inspeção final na estrada de ferro

– 1884: a 14 ou 22 de junho, o Imperador veio com comitiva e família para inaugurar a estrada de ferro “Minas and Rio”. Nesta ocasião, a princesa Isabel chegou a relatar que gostaria de chupar jabuticabas do pé, pois eram mais saborosas. O incansável Major Novais não pensou duas vezes. Mandou seus escravos arrancarem uma jabuticabeira e trazê-la até à beira da estação, para que assim Vossa Alteza Imperial pudesse satisfazer seus desejos.

O próprio Major Novais parecia ter uma admiração venerável pela família Imperial. Quando a Monarquia caiu e foi dado o golpe da República, o major ficou inconformado. Saiu da vida política e dedicou-se apenas à sua propriedade. Em sinal de protesto, resolveu fazer uma homenagem ao seu eterno Imperador. Deixou a barba crescer para parecer com o Imperador e foi visitá-lo na França, onde d. Pedro II estava exilado.

Enfim, Cruzeiro me forneceu várias histórias e causos, mas nenhuma certeza. Se alguém tiver uma luz para mim, por favor, entre em contato.

O Imperador fotógrafo

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Uma pausa na narrativa de minhas pesquisas. D. Pedro II, além de Imperador, era um exímio observador das paisagens por onde passava e das pessoas que conhecia. A fotografia era, com certeza, uma das suas maiores paixões, seja por experimentos pessoais, seja como registro artístico e científico dos tantos lugares por onde passou. As mais fascinantes são as fotografias tiradas por sua comissão científica nas viagens ao exterior, tanto para países conhecidos como os da Europa e os EUA, mas também as longínquas regiões do Oriente Médio, África e China. As fotografias são tão importantes que irão virar patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO.

A Biblioteca Nacional construiu um site onde estão todos os álbuns fotográficos guardados cuidadosamente durante os mais de 120 anos. São obras fascinantes, como esses exemplos abaixo. Viaje junto com o Imperador, clicando aqui.

Família chinesa - 1874, 1875

Oeste dos EUA - 1871, 1873

Índios americanos - 1871

Árabe - séc XIX

Dom Pedro II no Egito - séc XIX

 

O primeiro passo

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O primeiro passo é sempre o mais difícil. Começar esse trabalho de pesquisa não foi nada animador. O tema era interessante, mas as informações estavam dispersas, desencontradas e muitas vezes sem embasamento. Pouco consegui encontrar no início e quase desisti de pesquisar sobre as viagens que nosso último monarca e sua filha fizeram pelas cidades do Vale do Paraíba. Quase.

Meu fascínio pelo período Imperial da História do Brasil transcende a seara acadêmica. Estudar esse período é fascinante, principalmente porque quase tudo o que nos foi ensinado até hoje sobre o Império do Brasil está contaminado com uma visão ideológica atrasada. Por outro lado, há muito o que estudar ainda sobre o período. Vejam a revisão historiográfica que a Guerra do Paraguai tem passado nas últimas décadas.

O que teria pensado d. Pedro II e a Princesa Isabel ao visitarem as poderosas cidades valeparaibanas, produtoras de café e de barões? Como teriam sido preparadas as recepções ao “Monarca dos trópicos”? O que se passou nas mentes da gente da terra, das elites locais, do povo do interior do país ao avistarem e, em alguns casos, beijado a mão de Vossa Majestade Imperial? Qual a estratégia política por trás dessas viagens da comitiva Imperial? O que se esperava dos barões, viscondes e condes da região e o que eles esperavam do Imperador? Estas são algumas das questões que me perturbaram durante alguns bons meses… e ainda me perturbam.

É com essas perguntas que dou o primeiro passo nesse blog. Quero construir um espaço onde possa pontuar minhas dúvidas ao longo da pesquisa e contar com a ajuda de você que está lendo esse primeiro post para chegarmos a uma conclusão. Espero também poder divulgar aqui os achados nos arquivos municipais, bibliotecas, centros de pesquisa, para quem sabe auxiliar outras pesquisas e outros tantos historiadores.

Peguem seus bilhetes, sentem em seus lugares que o trem está a postos para seguir pela Estrada de Ferro Pedro II!